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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

COLÔNIA ANTONIO JUSTA: UM POUCO DE HISTÓRIA


Desde que foi criada em dezembro de 1942, por iniciativa do Exmo. Sr. Governador do Estado do Ceará, Francisco Menezes Pimentel, a Colônia Antônio Justa tem como finalidade principal cuidar de pacientes acometidos pela hanseníase. Inicialmente tinha por denominação Sitio São Bento, que cuidava na época de pacientes ainda denominados leprosos, um estigma que sempre acompanhou essa doença. Em 08 de janeiro de 1940, o Jornal O POVO publicava uma nota que expressava o pensamento da época: “ O Ceará não dispõe de uma leprosaria. O temos no gênero é um antiquado e desumano depósito de doentes, beneditamente trabalhado por corações magnânimos, sem comodidades, sem conforto, muito deixando a desejar, a concluir-se pelo fato de existirem em vinte e cinco municípios cearenses, a que abrangeu o censo recentemente procedido, 430 morféticos em contato com a população sãs” (Othon Sidou). Segundo ainda esse jornalista “ na construção da Colônia de Leprosos São Bento não poderá ficar olvidado o tenaz esforço despendido pela Sociedade Cearense de Assistência aos Lázaros de Defesa Contra a Lepra {...} O Sito mede 600 hectares, já bastante cultivados {...} a planta da Colônia que foi levantada e que está sendo construída pelo Sr. Silvio Jaguaribe Eckman, nada deixa a desejar”.

A tentativa de tratamento e de socialização dos pacientes já era quase uma tônica na época, apesar da maneira de condução do tratamento e mesmo da relação entre pacientes, parentes e profissionais da saúde. Esse mesmo artigo nos mostra que na época era dividida em três zonas, ou seja, sadia, neutra e doente. Essa divisão era ‘’meramente convencional porque é contrapudente, no moderno tratamento da terrível enfermidade, oferecer aos doentes a ideia de que estão “enclausurados”. As zonas tinham por intenção “a defesa orgânica de quem tiver de lidar com os infestados, não deverá constituir uma humilhação para quem já sente humilhado pela horrível enfermidade”.

De lá para cá muita coisa mudou. Em 12 de janeiro de 1994, através do Decreto 23.009, no governo do Exmo. Governador, Dr. Ciro Ferreira Gomes, a Colônia passou a ser nomeada de Unidade Hospitalar de Reabilitação Antônio Justa. Essa foi a única transformação ocorrida pois a própria concepção do tratamento evoluiu, os medicamentos se tornaram eficazes, os profissionais de saúde se conscientizaram da cura da hanseníase e, portanto, se empenharam em buscar novas formas de tratamento das incapacidades, das sequelas.

Resta-nos ainda uma missão que vem desde a era de Cristo, erradicar de uma vez o preconceito, o medo contra a doença que não depende apenas de nossa administração, mas de uma participação coletiva. Esse mal não é de escolha de ninguém e se são acometidos por ele, precisam de fortalecimento de sua auto-estima, de coragem para lutar e vencer a doença e, acima de tudo, coragem para enfrentar a sociedade que ainda tem guardada em si distância do doente. Hoje não é mais um “depositário de leprosos”, um local especifico onde alojam os doentes, mas ainda são colocados a margem do cotidiano e lhes é privada a dignidade e aceitação necessária para que se sintam parte do todo e voltem a ser humanos com todos os direitos que a cidadania lhes garante.

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